Saturday, April 08, 2017

Voltando a casa com flores de miosótis






A time to love twirl and dance

É bom regressar a casa, em dia tão primaveril quanto este. E regressar a casa, refere-se a regressar a este espaço digital que passou a ser meu esconderijo perfeito. 

A vida parece aqui mais tranquila. Os pensamentos, esses aquietam-se, deixando fruir das palavras sem amarras. Como os pássaros da Primavera que já rondam há alguns dias em volta desta janela bem alta.

Acordei. Respirei avidamente o ar que irrompia e trazia acalmia. Corri para a varanda. Ah! A Primavera voltou.

Uma aragem deliciosa bateu-me no rosto. A cor azul-bebé do firmamento envolveu meu olhar. Inspirei até a fundo do meu ser. A vontade de sorver as fragrâncias de um tempo que se compromete duradoiro, acariaciador. Bem estar. Divino planeta.

Atraída pela cor azul em contraste com o verde que se faz já um pouco por todo o espaço envolvente. Aromas campestres, na cidade. Essenciais.

Sensações repousantes, puras, como preces, leves.




Myosotis azorica

Inundados os olhos de litanias, a vida chamou-me. Entrei, e fui preparar meu pequeno almoço. Enquanto saboreava o café da manhã, de novo na varanda, abri uma rede social e deparei-me com uma notícia da Quercus, vinda dos Açores.

Foram descobertos "vários exemplares de Não-me-esqueças (Myosotis azorica), uma das plantas mais raras dos Açores e que em todo o mundo apenas pode ser encontrada neste arquipélago, nas ilhas das Flores e Corvo". Não havia registos desde 2001, segundo SPEA.

Voei de novo até à minha infância quando minha mãe que adorava as flores de miosótis me enfeitava os cabelos com um pequeno ramo de miósotis. 

Mas não queria que a melancolia se abatesse sobre meus sentimentos. Não. Sacudi a cabeça polvilhada de sentires, naquele espaço suspenso na infância. 

E levantei os olhos cor-de-canela. O céu estendia-se por cima da minha cabeça, cor das flores de miosótis azuis. Entreguei-me ao universo por algum tempo. Survi, mais uma vez, todos os sentires imersos na paisagem.


Miosótis (pseudónimo)

08.04.2017
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Wednesday, March 08, 2017

Dia Internacional da Mulher : Amy Krouse Rosenthal, uma história de amor






Amy Krouse Rosenthal
writer
credits: Kevin Nance 
http://www.chicagotribune.com/

Buscando paisagens em abstractos lugares, vou de porta em porta digital, abrindo saberes ou apenas ideias para ultrapassar um ou outro momento de impasse, no dia-a-dia enfadonho das obrigações. Bem comum a cada um de nós, quando confrontados com a insensatez do prosaico.

Gosto de literatura! Todos sabem! De bons livros, de excelentes autores! Mas, tenho um carinho especial pela literatura infantil e juvenil. 

Não é fácil escrever para crianças. Daí o meu apreço pelos bons e originais autores de livros para crianças.

Considero, tal como afirmava Sophia de Mello Breyner, que escrever para crianças é como não perder a sua alma de criança. É isso.


[...] ensinou-nos que os poetas eram todos uns personagens extraordinários, que apareciam a horas imprevistas e diziam coisas surpreendentes
.

Miguel Sousa Tavares, E Ela Dança
in Público, 1999

É certo que a maior parte dos autores, hoje em dia, investe mais na imagem do que na palavra. Compreende-se. É mais fácil cativar a atenção das crianças.

Mas também a ilustração tem um saber pegar no imaginário da criança. Tudo isso, palavras, imagens, só serão cativantes se o autor já adulto cria, em palavras ou imagens, conservando no ser e no estar, a magia da infância!





Ao deparar-me com esta autora norte-americana de literatura infantil e juvenil, sorri! Amy Krouse Rosenthal não esqueceu ainda a singularidade de ser criança!

Não sei se conhecem este vídeo! Mas, para o caso de ser a primeira vez que o visionam, vão sorrir mesmo sem dar por isso! Como quem deixa cair uma poeira de estrelas no adulto sério que temos que ser, ao longo dos dias.







Verdade! Digam lá! Não se deixaram conduzir pela magia? Só pode, perante uma imaginação tão naïf!


Foi apresentada no Writer's Block Party (Agosto 2008) do Chicago Public Radio! Isso aconteceu para chamar a atenção do público na Book Expo America (2009), que abriu nesse ano, em 28 Maio, Nova Iorque. 

Mais tarde, escreveu um livro lindo Plant a Kiss que tenho entre os meus livros mais preciosos.







De repente, deparei-me no dia 3 Março, com um artigo no New York Times com o título original. You May Want to Marry My Husband escrito por Amy Krouse Rosenthal. Reconheci o nome de imediato e comecei a ler. Fiquei estarrecida.

A autora está com uma doença terminal e, num acto de amor, escreveu este artigo em que faz perfil do marido para arranjar uma futura companheira:







credits. Brian Rea

"I have been trying to write this for a while, but the morphine and lack of juicy cheeseburgers (what has it been now, five weeks without real food?) have drained my energy and interfered with whatever prose prowess remains. "

(...)

As for the future, allow me to introduce you to the gentleman of this article, Jason Brian Rosenthal.

He is an easy man to fall in love with. I did it in one day."


E Amy continua, apresentando uma lista de atributos do marido, como companheiro, como pai (Amy e Jason têm três filhos, (uma delas foi cúmplice da mãe no vídeo acima apresentado), entre episódios cheios de humor, talvez para desdramatizar o momento que vive. Até que termina:

"I want more time with Jason. I want more time with my children. I want more time sipping martinis at the Green Mill Jazz Club on Thursday nights. But that is not going to happen. I probably have only a few days left being a person on this planet. So why I am doing this?


I am wrapping this up on Valentine’s Day, and the most genuine, non-vase-oriented gift I can hope for is that the right person reads this, finds Jason, and another love story begins."

Amy Krouse Rosenthal, You May Want to Marry My Husband
in New York Times, March 3, 2017

Não será necessário dizer como me senti quando terminei de ler o artigo.







Amy Krouse Rostenthal 
credits: TEDx Waterloo conference
February 25th 2010


Amy K Rosenthal é hoje uma conceituada escritora, best-seller do New York Times. Teve várias participações no célebre TED Talks (2010, 2011, 2012, 2015). 






Escreveu artigos para New York TimesHallmark MagazineParentingO: The Oprah Magazine.

Continua empenhada em novos projectos e a escrever livros, sendo que o último livro para crianças, That's Me Loving You, Dezembro 2016. 

Esta a minha homenagem no Dia Internacional da Mulher. Amy Krouse Rosenthal.


Li com emoção... Amy Krouse Rosenthal morreu hoje. 


Dêem-lhe noites com "jardins invadidos de luar". E ela dançará.

Miguel Sousa Tavares, E Ela Dançará


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores,celebrando o Dia Mundial da Mulher

06.03.2017
actualizado 13.03.2017
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Nota: Post publicado em Maio 25, 2009, foi hoje reescrito e actualizado. Os comentários do post inicial continuam anexos.


Wednesday, February 22, 2017

Vidas cortadas numa primavera anunciada






Almada Negreiros (1893-1970)
Sem título, sem data, grafite e guache sobre cartão
Colecção particular

“A vida é um dilema singelo, ou se é bigorna ou se é martelo.” 

Daniel SampaioTudo o Que Temos Cá Dentro

Ontem a notícia do aparecimento do corpo, nas águas do Douro, de um jovem de 16 anos. E hoje a hipótese levantada de suicídio por desgosto amoroso, leva-me a chorar este trágico desfecho.

Quando releio o que escrevi em Ah! Outono, morreste-me duas vezes, fico presa aos sentimentos que me assolavam na altura. Mas, comparando, com a dor que os pais deste adolescente sentem. Silencio.

Não há dor mais profunda que a perda de um filho. Senti o que meus pais viveram depois da morte por doença, de meu irmão mais novo, 13 anos.

Acompanhei depois alguns amigos na mesma dolorosa via de perda de filhos por doença e por suicídio. E não há palavras.

Mas, interrogo-me. E o sofrimento deste jovem? Alguém o ouviu? 

Fala-se pouco no suicídio de adolescentes. E fala-se pouco com os adolescentes sobre suicídio.

Eu sei. Psicólogos consideram que falar, pode desencadear actos semelhantes. Mas cala-se a dor dos pais. E silenciam-se jovens que precisariam de ser ouvidos, acompanhados? Persegue-me esta aflição.

A adolescência é um momento de descoberta e desorientação. Um período de transição que pode trazer questões de independência, de auto-identidade. 

Muitos adolescentes e seus pares enfrentam escolhas difíceis:  percurso escolar, sexualidade, drogas, álcool, vida social. Grupos de pares, interesses amorosos, aparência, tendem a aumentar, naturalmente, em importância durante a viagem de um adolescente em direcção à idade adulta.

A adolescência deveria ser uma época feliz, tudo vibra em volta. A natureza, os amigos, a música, a leitura, os amores. 

Adolescência deveria ser feliz, num mundo próprio de realidades simples.

"A arte de viver é simplesmente a arte de conviver... simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!"

Mario Quintana

Para Tiago

Miósotis (pseudónimo)

22.02.2017
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Sunday, January 22, 2017

Um dia de Domingo








E domingo veio enroscar-se no interior da casa, de mim, na veemência de Janeiro. Pequeno almoço, tardio, na manhã calma.

De novo, o canto mais íntimo. E falo de mim, das coisas que faço, dos lazeres preguiçosos. Como este de domingo.

Dia de sol. Lindo. Céu azul límpido. Muito frio, lá fora. Abro as janelas para expirar profundamente. Zen. Mas depressa me retiro, Um arrepio de frio. Estremeço.

Um pouco engripada, conservo-me quente. Camisola confortável. Uma manta acolhedora. Faço um café bem aromatizado. Pego num livro.

Dia de preguiça lânguida, um jeitinho de fazer pouco, invento paisagens pelas palavras que leio.





Collateral Beauty
David Frankel/ Allan Loeb, 

E solto-me até outras imagens. Vêm de mansinho, algumas passagens do filme que ontem vi. Beleza Colateral. Três conceitos abstractos dão mote a uma história de vida. Um filme dramático com um pouco de magia. 

Tempo. Amor. Morte.

Beleza Colateral aborda uma temática muito difícil. No entanto, de forma delicada. Mostra-nos a tristeza e a dor profundas. Mas também a beleza que podemos ver em tanta coisa à nossa volta.

Sugere outras emoções. Alegria? Deixa uma boa mensagem. Esperança.

O dia está frio. Repito. Aconchego a manta, no sofá. 

Escolho o Tempo, hoje. E a beleza de ter este dia.


Miosótis (pseudónimo)

22.01.2017
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Monday, January 02, 2017

Herança de vida






credits: Christian Schloe

Aqui está minha vida.
Esta areia tão clara com desenhos de andar
dedicados ao vento.
Aqui está minha voz,
esta concha vazia, sombra de som
curtindo seu próprio lamento
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança,
este mar solitário
que de um lado era amor e, de outro, esquecimento.

Cecília Meireles, Aqui está minha vida



Quero então uma herança diferente. Areia clara, sim, com desenhos de andar de andar dedicados ao oceano. Gosto da brisa com cor de água-marinha. 

Voz sem tantos lamentos. Mágoa(s) de coral quase perfeito. E poucos momentos patéticos.

Quero uma herança mais leve. Menos solilóquios. Quero começar outros dias. De serenidade. Fruir dos aromas que envolvem a vida. 

Possa eu encontrar a paisagem quase perfeita para continuar. 

Pacificada, serena. Evitar o desassossego. Colorir o pensamento com aguarelas de momentos mais doces. Ternura. 

Um mar menos solitário. 
Ânimo para todos os afectos.

"Com as coisas que vão acontecendo vamos aprendendo que nada é impossível de solucionar, apenas siga adiante."

Papa Francisco


Miosótis (pseudónimo)

©glosa sobre poesia de Cecília Meireles

04.01.2017
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Saturday, December 17, 2016

Tempo de Natal não esquecido







Tiffany NY christmas window


Ode aos Natais Esquecidos

Eu vinha, pé ante pé, em busca da pequena porta 

que dava acesso aos mistérios da noite, 
daquela noite em particular, por ser a mais terna 
de todas as noites que a minha memória 
era capaz de guardar, com letras e sons, 
no seu bojo de coisas imateriais e imperecíveis. 
Tinha comigo os cães e os retratos dos mortos, 
a lembrança de outras noites e de outros dias, 
os brinquedos cansados da solidão dos quartos, 
os cadernos invadidos pelos saberes inúteis. 
E todos me diziam que era ainda muito cedo, 
porque a meia-noite morava já dentro do sono, 
no território dos anjos e dos outros seres alados, 
hora inatingível a clamar pela nossa paciência, 
meninos hirtos de olhos fixos na claridade 
enganadora de uma árvore sem nome. 

José Jorge Letria, (excerto), in 'Natal' 


Não. Para mim os natais da minha infância não estão esquecidos. Foi a parte mais suave e mais bonita da minha vida. 

Infância protegida, acarinhada, rodeada de muitos irmãos, todos rapazes, sendo eu a mais novinha, e de meus pais. Ah! E de minha avó materna. A única que pude conhecer. 

Avó Beatriz, loira com fios brancos, mulher guerreira, e que de tanta doçura me rodeou. Sua neta mais querida, dizia. A neta que a acompanhava até à quinta, nas férias da Páscoa ou de verão, e se levantava de madrugada para a acompanhar à missa da aldeia, hoje cidade, lá no Mosteiro. Nas terras do Minho, fronteira com Trás-os-Montes.

Mas no Natal, avó Beatriz vinha para a cidade e juntava-se aos netos todos. Mas a noite de Natal, ela preferia partilhar da nossa alegria, excitação, na espera das doze badaladas. 

Muito ensonados, saltávamos das camas, abríamos as portas dos quartos. E corríamos escadaria abaixo até ao verde pinheiro. Os rapazes mais indomáveis, deslizavam, velozes, pelo corrimão de madeira.

Que teria deixado o Pai Natal para cada um de nós? 

A casa era imensa, telhado lá no topo. Perfeito para as renas que puxavam o trenó poisarem e repousarem.

Havia vários fogões de sala. Portanto, a chaminé era grande, larga. Ideal para o Pai Natal passar com o seu imenso saco e cair directamente no fogão da sala grande, no último piso, onde se encontrava a árvore de verde pinho. A cadela Nina, uma Serra da Estrela, seguia-nos nessa excitação toda, companheira de todas as brincadeiras.

E meus pais, olhavam docemente, sorrindo cúmplices, ao observar os nossos olhos maravilhados, encadeados nas luzes da árvore de verde pinho. E nas prendas. Ouviam os nossos gritos Oh! de estupefacção - como poderia o Pai Natal ter recebido a nossa cartita? - e os nosso risos de alegria soltavam-se. E fingiam-se tão admirados quanto nós.

Até que um dia a morte entrou de rompante em nossa casa. E levou meu irmão, o mais novos dos rapazes. Mal fizera treze anos.

O Natal não voltou a ser o mesmo. O Pai Natal voltava. Mas já não ríamos despreocupados e felizes. Até Nina se tornara mais quieta. Ela que pressentira a noite que a morte rondou a nossa casa. Uivou lamuriosa.

Meus pais já não sorriam. Havia muita tristeza no seu olhar, Avó Beatriz tornou-se mais calada.

A grande emoção da nossa infância perdera-se com a partida de meu irmão.

Hoje, lembro todos. Muitos partiram. Tão precocemente. Avó Beatriz, meus pais. Eu não passava de uma miúda. A morte de meu irmão marcou seus corações. Não resistiram muitos anos. 

Mais tarde, há dez anos, meu irmão mais velho desistiu da vida. Meu grande amigo partiu, sem resistir. 

Todos juntos, assim acredito. Sinto. Olhando-me com ternura. Anjos protectores.

Nesta lembrança linda mesclada de tristeza, lembro os meninos de Alepo que já não choram. Meninos hirtos, de olhos fixos na claridade do fogo das armas que os matam, mutilam, traumatizam. 

Pecado dos senhores das guerras que roubam os natais às crianças de Alepo. 

Crianças que nunca terão lembranças doces de infância. Natais felizes, no aconchego do amor de seus pais. Em paz. Só guerra. 

Orfãos de pais, de amor, de paz. Percorrem as ruas, tentam fugir do inferno da guerra, perdidos. Sem pais, sem irmãos, sem brinquedos. 

Gostaria de crer, de novo, que o mundo se transformará para o Bem. E que os valores do respeito pela vida, voltarão ao coração dos Homens e das Mulheres de boa  vontade! Mas já não creio.


Miosótis (pseudónimo)

17.12.2016
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Saturday, December 03, 2016

Época de Natal






Christmas window


Dezembro, dia 1. É o início da preparação de Natal. Abertura oficial da época natalícia. Para mim, a festa da família. A doçaria que traz um aroma distinto à casa. Aromas de infância. Festa, luzes, cheiro a canela, creme queimado, risos das crianças, luzes feéricas que piscam intermitentes. Aconchego. Doçura. 

É o dia que aproveitamos para fazer a árvore de Natal, e decorar a casa. Dantes éramos mais a ornamentar a árvore ao som de Diana Krall ou WhamMelodias eternas que nos levam à magia da época.

Agora, a tradição é um pouco diferente, mas sempre especial. E há por perto um elemento inquieto que tem um papel bastante activo neste dia de montar a árvore: a gata siamesa que delira com as bolas e objectos decorativos, mete a patita nas caixas de cartão, rola as bolas pelo chão da sala, e espreita a possibilidade de atacar a árvore para retirar alguma decoração que lhe chame mais a atenção.

Bem diferente de uma outra gatinha, também ela siamesa, que viveu cá em casa durante muitos anos. E que partiu abruptamente. Muitas saudades.

Passava as noites, deitada na sua manta, poisada numa das cadeiras junto à árvore. E ali permanecia fiel, todas as noites, fascinada pelas luzes. Era a sua época de magia.

O passado de fazer o luto ainda presente, tenta colar-se. Mas sacudo. Deito fora com movimentos soltos que me ajudam a espantar todas as energias negativas porque tristes. 

A família virá. Estará de novo reunida. É preciso ter um sorriso lindo para oferecer. É a época de Natal.

Quero apenas as boas recordações que me apoiam no desapego dos sonhos que se desmoronaram tão completamente.

Sei que tenho vindo a criar novas rotinas, novas tradições que me alegrarão a alma. Não como acontecia antes. Não. Mas que me energizam para fixar no olhar esperança.

Porém, vou precisar de mais alguns Natais para lá chegar.

Miosótis (pseudónimo)

03.12.2016
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