Wednesday, December 31, 2008

Bom Ano 2009




Manu Fernandez/AP 2008



Mudar o mundo é mudar os ponteiros onde se marca o bem e o mal. Não quer dizer pô-los ao contrário, mas dar-lhes andamento certo.

A vontade de transformar o mundo. Desgraçado do povo que não compreende isso: ele não tem génio. E triste do poeta que não sente assim, porque ele não tem simpatia pela vida.


Agustina Bessa-Luís, Mudar o Mundo

Tenho uma enorme aspiração que o mundo "mude para melhor"! Não direi "querer mudar o mundo" porque o que está feito, é irreversível!

Mas desejo ardentemente que o mundo "mude para melhor"! Isso está na minha vontade e na vontade de cada um de nós! E só quando formos muitos é que chegaremos ao nosso dom maior... Saber mudar o mundo para melhor!






AP Photo/Damian Dovarganes


http://www.washingtonpost.com/



Não importa duvidar... o que importa é querer vivenciar uma intrínseca manifesta esperança que viva dentro de nós como uma flor e nos faça agir em cada momento com cuidadoso sentimento.
Não é jamais moralista. Ele ama as descobertas, não se deixa abater pelo que o espectáculo da vida poder ter de depressivo; pelo contrário, o sentido do seu próprio limite no tempo é uma espécie de imunidade que o leva a não deixar nada por verificar, nada por vingar da afronta da superficialidade em que as coisas se generalizam.

Agustina Bessa-Luís, Criador

Eu creio que podemos "mudar o mundo para melhor"! E em cada gesto eu coloco toda minh'alma de afectos feita.


O viver multipolar entre o que se ama e o que nos comove, alimenta a vontade de sermos nós próprios sem afectar o amor ao próximo.

Agustina Bessa-Luís, Amar

Opera Omnia, Dicionário Imperfeito, Guimarães Editores, Lisboa, Junho 2008

Este é o meu gesto de Paz e para um mundo melhor partilhado em movimento universal pacifista!

Fraterno Ano 2009!



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores, no último dia do ano 2008, homenagem a Agustina Bessa-Luís, a mulher, a escritora.


No mês em que Harold Pinter e Dario Fo* morreram.

31.12.2008

* Prémios Nobel da Literratura 2005 e 1997


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Wednesday, December 24, 2008

Natal com Fraternidade




REUTERS|Brendan McDermid (UNITED STATES)
http://lh3.ggpht.com/

É verdade! É um contrasenso depois de tudo o que pratico, mas gosto de olhar o Natal em Rockfeller Center! As imagens são sempre divinais! E as pessoas mostram-se alegres ao partilhar de momentos tão encantatórios. Luzes, movimento, câmaras, música, gente célebre, televisão! Talvez se sintam ilusoriamente menos sós durante a celebração do Natal em Rockfeller Center!

[...] Nova Iporque sempre me pareceu um lugar impessoal, o auge da impersonalidade, e, por isso, extremamente tentador.


Agustina Bessa-Luís, Nova Iorque

Podem ser meras ilusões, mas o que é certo é que os novaiorquinos vibram, deixam-se envolver pela magia, sorriem com prazer e passeiam no meio da multidão para por momentos fazer parte de um colectivo quase quente e amistoso.


Quantas pessoas passarão solitariamente o Natal em Nova Iorque?!

E aqui, no nosso país, na nossa cidade, por trás de uma janela, mesmo ao virar da esquina, no nosso prédio, nosso andar... quantas!?
E nós?!




\
AP Photo/Julie Jacobson 2008



Gosto das pessoas como elas são e dá-me imenso prazer - cada vez mais - ser agradável e gostar de quem não vale grande coisa. De outra forma sentir-me-ia muito só neste mundo.

Agustina Bessa-Luís, Pessoas

Sim, as pessoas acabam por juntar-se em espaços públicos, mesmo não sentindo a sintonia com as outras pessoas, apenas para não estar sós...



AP Photo/Julie Jacobson 2008



O mistério da vida cumpre-se em cada homem de uma forma única. A harmonia depende possivelmente de que deveríamos impor menos as fórmulas de felicidade, que é bom senso de raros, e aceitar redimensionando-a pela responsabilidade própria, a incoerência de todos.

Agustina Bessa-Luís, Solidão das Personagens

O mundo vive momentos muito difíceis. Mas, talvez por isso mesmpo as pessoas precisam mais do sonho para enfrentar a vida!

E por que não sonhar a fraternidade?!


AP Photo/Diane Bondareff
http://por-img.cimcontent.net/

Nada mais difícil neste mundo do que perceber da fraternidade humana. Somos livres para ajuizar, mas mão somos livres para decidir o afecto que nos é prometido. Isso, ou o merecemos, ou não.
A fraternidade é uma causa boa, mas também é a mais intocável das esperanças até parecer a mais intangível das ilusões. É um mistério da vontade, e não uma proposta da inteligência.

Agustina Bessa-Luís, Fraternidade

Opera Omnia, Dicionário Imperfeito, Guimarães Editores, Lisboa, Junho 2008





Quero crer que o sentimento de Fraternidade será uma causa tocável e que não estarão longe os tempos em que os Homens se irão juntar numa vontade una!

Fraterno Natal para toda a Humanidade num futuro muito próximo!

Que as guerras deixam de dividir os povos!

Que a luz de uma vela branca se ilumine em cada uma das nossas casas, partilhando de uma movimento universal pacifista!

Fraterno Natal para si!


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite mais especial do ano, 


24.12.2008



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Saturday, December 20, 2008

I don't talk about it...

Galiano


François Guillot 2008
news.yahoo.com/photos


Ao início,

eu queria um instante.
A flor.

Mia Couto, Idades, Maputo 2006






Quero um beijo, pediu ela

Um sismo
abalo o peito dele.
E devotou o calor
da lava dos seus lábios,
entontecida água na cascata.

Quando terminou
ela tinha os olhos rasos de água.

Mia Couto, O Beijo e a Lágrima, Maputo, 2006


Miosótis (pseudónimo)


revisitando sentires depois de longa ausência em fragmentos da noite


20.12.2008
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Sunday, December 14, 2008

Manoel de Oliveira... 100 anos activos!




Manoel de Oliveira/Cineasta





Manoel de Oliveira
http://fotos.sapo.pt


Quer se goste ou não da sua arte, Manoel de Oliveira é muito conceituado nas comunidades intelectuais mundiais, ligadas à arte cinematográfica e não só!

Mas o que mais me impressiona é o facto de ter celebrado o seu 100º aniversário a filmar!

Ninguém contesta o seu equilibrado sentido de humor e a perfeita noção da realidade do mundo que o rodeia!


Não poderia deixar de homenagear o homem porque o realizador/autor já o celebrei em outros momentos e lugares!

É agradável ouvir uma pessoa com esta idade, perfeitamente consciente, e crítico do seu próprio mérito.

Estou muito sensibilizado e emocionado. Não sei se mereço isto. Suponho que não, até porque não é mérito próprio chegar à idade que cheguei. São caprichos da natureza, mas é agradável!"

Manoel de Oliveira


Manoel de Oliveira apresentou ainda as suas aspirações com veemente convicção:

Terminado mais um filme Manoel de Oliveira manifestou vontade de rodar "O estranho caso de Angélica" recuperando um projecto dos anos 50, que o realizador gostaria de estrear em Maio de 2009, no Festival de Cannes, em França!

Público, 11.12.08

Parabéns Manoel de Oliveira!


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos de final de tarde, num momento de pausa... depois de uma semana cansativa!

14.12.2008


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Sunday, December 07, 2008

Doces fragrâncias em noite de chuva





Imagem: Autor não identificado *
ww.google.pt/images

Quero ter pensamentos que me cheirem a lenha
Esfregar o espírito em plantas aromáticas
Uma alma com pétalas guerrilheiras selvagens (...)

Natália Correia, Cântico do País Imerso, in O Sol nas Noites e o Luar nos Dias
Projornal, Março 1993




Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite em manto de chuva, com ventos agrestes na paisagem citadina, Delicate, Damien Rice

07.12.2008

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* Imagem publicitária, autor não identificado

Sunday, November 30, 2008

Brancos olhares



Mões - Castro Daire

Fotografia: Paulo Martins

Mões - Castro Daire
Fotografia: Paulo Martins

http://noticias.sapo.pt

Na erva, em tapete de geada branca,
as árvores despidas, iluminadas de luar.


Wang Wei, Pensamentos numa noite de Inverno
Gosto do Verão, indubitavelmente!

E por mais que admire a luxúria dos tons outonais ou a ascese dos invernosos que se expandem em sobressalto aos ventos frescos destas estações, eu não consigo fazer frente ao desconforto de um tempo frio, húmido, escurecido, quase sem sol.

Até as tonalidades das folhagens, do firmamento suave tantas vezes acariciador, se desvanecem perdidas, correndo contra as cores plúmbeas de um inverno grosseiro e fosco que não convida ninguém ao deambular sereno em fim de tarde, preso à brisa e à luz dos últimos raios de um tom esmaecido.

Repentinamente, a neve baixou sobre as terras altas. E a beleza natural das paisagens é tão intensa que calei meus queixumes perante o esplendor de tais paisagens!

Suspendo o olhar! Na noite fria, aconchego-me no sofá, em frente às vidraças batidas pela chuva que se solta abundante em toques ritmados. E sonho...


Os sonhos aconteciam, pois, até o sonho cair dentro da vida.

Teolinda Gersão, O Silêncio





Miosótis (pseudónimo)

fragmentos brancos em noite de inverno, som de Ennio Morricone, Cinema Paradiso.


01.12.2008

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Saturday, November 22, 2008

Encantamentos do olhar!




Fuxico | Adriana Banfi





Fuxico | Adriana Banfi



Pinturas acrílicas sobre papel japonês

Adriana Banfi


Pudesse Eu


Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!
 
Sophia de Mello Breyner Andresen Poesia
Antologia Moraes Editores, 1970

 
Miosótis (pseudónimo)
fragmentos de uma tarde de sábado, céu azul-claro, cor de infinito sobre a cidade,  Drive, Incubus

22.11.08


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Sunday, November 02, 2008

Pensando...




Adriana Banfi (aguarela 1991)




Adriana Banfi (aguarela 1991)



flores brancas da pera

e uma mulher no luar
lendo uma carta


white blossoms of the pear

and a woman in moonlight
reading a letter


Yosa Buson

Um dia, não sei em que vida, em que passagem, mas um dia, eu sei, esse dia... o perfeito amor vai chegar e vai poisar em meu regaço duas mãos cheias de mar. E em uníssono, as estrelas cintilantes ouvirão pronunciar: "Quero-te profundamente"!


Nesta noite de Novembro frio, revejo muitas noites de luar que se transformavam em fragmentos de sinceros sentires, deixados aqui, com um toque de nostalgia, muita esperança, alguma alegria, sonoridades de paz, desassossego, impregnando assim meus pensamentos de flores com fragrâncias doces, aromas de maresias e alquimias.

Não vou dizer que nada mais sinto para escrever.... sinto, sinto! Mas se tenho vontade de escrever? Nem sempre! 
Como se uma mão poisasse em meus lábios um secreto gesto de silêncio. 


Já tentei algumas vezes, obedecer a essa invisível vontade, mas depois bate-me aquela vontade íntima de escrever. Por vezes!

Prefiro escrever à medida que vou sentindo desejo íntimo de cuidar...

"Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se juntarem às mãos. Depois saberei tudo. Não se sabe tudo, nunca se saberá tudo, mas há horas em que somos capazes de acreditar que sim, talvez porque nesse momento nada mais nos podia caber na alma, na consciência, na mente, naquilo que se queira chamar ao que nos vai fazendo mais ou menos humanos."

José Saramago

Miosótis (pseudónimo)

©texto original

02.11.2009

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fragmentos da noite, em tonalidades gélidas que deste lugar descortino. Uma janela poisada sob os telhados da cidade calma.


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Saturday, October 18, 2008

Outubro Rosa



www.zazzle.com


[...]
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes encontro
nuvens espessas[...]

Cecília Meireles, A arte de ser feliz

Outubro Rosa assinala a Luta Mundial Contra o Cancro da
 Mama.





Na sequência do prémio Dardos atribuído por aArtmus...





“Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web. Quem recebe o “Prêmio Dardos” e o aceita deve seguir algumas regras:

1. Exibir a distinta imagem;

2. Elencar o blog pelo qual recebeu o prémio;

3. Escolher quinze (15) outros blogs a que entregar o Prémio Dardos.”


Escolher é subjectivo, mas como pouco público feminino tenho por leitoras, repasso-o em homenagem às mulheres, estendendo-o aos homens, meus leitores, os que ainda não foram nomeados...



Fios Dourados, Multiolhares, Virtualmente em azul, Art of love, poetaeusou, Esboços de Nus, Humores, Cripta de Ravnos, O Profeta, Insight... my life, O Melhor Blog sobre o Nada, no sentido... Alfazema azul, Paradoxos, (A)palavrA(r)


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos de esperança nesta luta contra a dor e o sofrimento


18.10.2008


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Saturday, October 11, 2008

Le Clézio, Nobel da Literatura 2008




Jean-Marie Gustave Le Clézio
foto: JPGuilloteau | L'Express

"Je ne suis pas certain de la durée de la littérature de façon générale. C'est une question quasi-biologique, de rythmes naturels auxquels la société humaine est soumise - c'est peut-être ça, l'écologie."

JM LeClézio, L'Express



Le Clézio, prix Nobel de littérature 2008 por lemondefr


“É preciso continuar a ler romances porque na minha opinião é uma boa maneira de questionar o mundo actual sem receber respostas demasiado esquematizadas ou automáticas. Um romancista não é um filósofo, não é um técnico de uma língua oral, é alguém que acima de tudo escreve e que no meio do romance levanta questões”

Le Clézio

euronews.net

Em 28 Dezembro 2005, publiquei em fragmentos da noite um excerto de um livro de Le Clézio que lera durante as férias. Chama-se Mondo et autres histoires.

E dado que na altura poucos leitores deste blogue se detiveram nesse excerto, permito-me repeti-lo. 

Afinal, Jean-Marie Gustave Le Clézio recebeu no passado dia 8 Outubro o Prémio Nobel da Literatura 2008, tornou-se o 14º escritor francês a ser distinguido com um Prémio Nobel de Literatura, 23 anos depois de Claude Simon.

"author of new departures, poetic adventure and sensual ecstasy, explorer of a humanity beyond and below the reigning civilization"

Nobel Prize

Suponho que vale a pena, para os que nunca leram Le Clézio, conhecer um pouco da escrita do autor e sentir-se assim motivado a fazer uma primeira abordagem à sua prosa.


Gallimard Folio
"... Mondo aimait bien faire ceci: il s'asseyait sur la plage, les bras autour de ses genoux, et il regardait le soleil se lever. À quatre heures, cinquante, le ciel était pur et gris, avec seulement quelques nuages de vapeur au-dessus de la mer. Le soleil n'apparaissait pas tout de suite, mais Mondo sentait son arrivée, de l'autre côté de l'horizon, quand il montait lentement comme une flamme qui s'allume. Il y avait d'abord une auréole pâle qui élargissait sa tache dans l'air, et on sentait au fond de soi cette vibration bizarre qui faisait trembler l'horizon, comme s'il y avait un effort. Alors le disque apparaissait au-dessus de l'eau, jetait un faisceau de lumière droit dans les yeux, et la mer et la terre semblaient de la même couleur. Un instant après venaient les premières couleurs, les premières ombres.

(...)


Quand le soleil était un peu plus haut, Mondo se mettait debout parce qu'il avait froid. Il ôtait ses habits. L'eau de la mer était plus douce et plus tiède que l'air, et Mondo se plongeait jusqu'au cou. Il penchait son visage, il ouvrait ses yeux dans l'eau pour voir le fond. Il entendait le crissement fragile des vagues qui déferlaient, et cela faisait une musique qu'on ne connait pas sur la terre."

Le Clézio, Mondo et autres histoires, Gallimard folio, 1978

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

11.10.2008

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Tuesday, September 30, 2008

Dia Mundial da Música 2008



Daniel Camacho (?)
olhares.com



É como se tivesses mãos ou garras
milhões de dedos brancos infinitos
É como se tivesses também asas
libertas do minério dos sentidos
É como se nos píncaros pairasses
quando nas nossas veias é que vives
É como se te abrisses - ó terraço
rodeado de abutres e raízes -
sobre o perene pânico dos astros
sobre a constante insónia dos abismos
E é como se te abrisses e fechasses
sobre a ante-palavra do Espírito (...)


David Mourão-Ferreira, Ode à Música, I
Imprensa Nacional-Casa da Moeda



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite em tonalidades soltas de infinito

01.09.2008

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Saturday, September 13, 2008

Aritmética Emocional




Poster Emotional Arithmetic

www.emotional-arithmetic



"Il y a quelques temps, le polémique historien français Pierre Nora a proclamé que la raison pour laquelle nous parlons tant de mémoire est que celle-ci a disparu."

Talvez porque o final da tarde trouxesse aromas outonais... decidi um destes dias procurar uma sala de cinema mais aconchegante, tipo estúdio. Seleccionei Aritmética Emocional por considerar que reunia factores que me agradariam, e entrei!




Emotional Arithmetic
www.emotional-arithmetic


O filme baseado na obra com o mesmo nome de Matt Cohan (1990) tem como actores Susan Sarandon, Christopher Plummer e uma referência inesquecível da filmografia de Ingmar Bergman, Mark von Sydow!



Emotional Arithmetic
www.emotional-arithmetic



Deixei-me surpreender pelas primeiras imagens, bem ao estilo de Ingmar Bergman! A mesma luminosidade, os tons quentes e outonais, o mesmo intimismo.


E quando a câmara se aproximou dos actores, pressenti que os diálogos seriam a atmosfera central da narrativa. O que me agrada profundamente!


Mark von Sydow & Susan Sarandon

Emotional Arithmetic
www.emotional-arithmetic



Em 1945, Jakob Bronski, um jovem detido num campo de concentração, acolhe e protege duas crianças recém-chegadas: Melanie e Christopher. Dadas as circunstâncias, os três ficam unidos por um forte laço de amizade...

Cinecartaz

Apesar de imaginarmos que tudo se possa centrar em Jakob Bronski, é Melanie que dá voz às memórias dos três sobreviventes de Drancy, um campo de concentração nazi, nos arredores de Paris, interligados pela fusão de sentimentos e vivências do passado, e do modo como vivem após tão dolorosa experiência!


Melanie dá, no início, uma sensação de equilíbrio emocional, logo desvanecida num close-up do seu olhar frágil projectado no espelho.


Seguimo-la então ao longo de toda a narrativa cinematográfica, numa evolução dilacerada de reacções-emoções, confrontada com a presença dos amigos, no ambiente familiar e no mundo de que se fez rodear.


Há quem aponte limitações ao realizador Paolo Barzman! Não sei se o livro poderia ou não levar mais longe a narrativa cinematográfica, dado que não o li, mas considero que a adaptação de uma obra literária é sempre um possível olhar!

Outros dirão que o filme aponta demasiadas pistas que depois não são devidamente explanadas.

Na minha leitura, sou levada a pensar que a intenção de Barzman era mesmo a de centralizar a sua obra na relação humana apoiada nas memórias dos três amigos, deixando ao espectador subtis margens para a recriação de possíveis conclusões.

Suponho que não pretendeu apresentar um olhar aprofundado dos factos históricos que sustentam a narrativa e sim uma singela homenagem. No final, depois da apresentação do número de vítimas do campo de Drancy, Barzman dedica a sua obra a alguém cujo nome aparece escrito no ecrã!

Afinal, não se pode exigir que um realizador seja perfeito logo no início de carreira! Este é o segundo filme de Barzman mas que obteve as honras de fechar a Gala do Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2007.





Eu gostei! É suficientemente envolvente, e a interpretação de Susan Sarandon é fabulosa!

"Profoundly moving. Sarandon delivers an outstanding performance."


Reel Talk Reviews


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos em noite outonal


13.09.2008
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Wednesday, September 10, 2008

Memória : 11 Setembro 2001






AP Photo/Mark Lennihan
Memorial 11.09.2008
http://cdn.theatlantic.com/





AP Photo/National September 11 Memorial & Museum, 
Squared Design Lab
http://images.huffingtonpost.com/





REUTERS/Shannon Stapleton (United States)
www.news.yahoo.com/



"A borboleta continuará a pairar sobre o campo e as gotas de orvalho ainda brilharão sobre a relva quando as pirâmides do Egipto estiverem destruídas e não mais existirem os arranha-céus de Nova York."

Gibran Kahlil (1883-1931)

tributo emocionado por todos os que partiram.

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

11.09.2008
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Friday, August 29, 2008

em Agosto... uma mulher!





Helena Abreu (aguarela)


Mas que queremos da vida? É a vida? O


que se procura em cada segundo para se perder

em cada segundo? O tempo, assim, de nada
nos serve. Um dia, dando por nós próprios,

perguntamo-nos o que fizemos, por onde

andámos, que cidades e casas percorremos,

sem que uma resposta nos satisfaça. A

vida, então, limita-se a ser o que fez

de nós, sem que o tenhamos desejado, e

nada pode ser feito para voltar atrás, nem

para restituir os passos trocados de

direcção, as frases evitadas no último

extremo, o olhar que se desviu quandonão devia. Ah, sim - e o amor? É isso

que queremos da vida? É verdade...


Nuno Júdice
, Filosofia, 2001




Cueillons les douceurs, nous n'avons à nous que le temps de notre vie.

(proverbe perse)



Miosótis (pseudónimo)


fragmentos em dia chuvoso que me rouba o sorriso. Olhar longínquo, um singelo ramo de rosas amarelas poisado graciosamente, a prece elevada para que mil résteas de luar possam guiar meu ser. Ouvindo Keith Jarrett

30.08.2008

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